A indignação de Malta
5 julho, 2008 por Luiz Valério“O senhor é um homem corajoso, Luciano Queiroz. Eu tenho nojo do senhor”
senador Magno Malta ao ex-procurador do Estado de Roraima, Luciano Queiroz
“O senhor é um homem corajoso, Luciano Queiroz. Eu tenho nojo do senhor”
senador Magno Malta ao ex-procurador do Estado de Roraima, Luciano Queiroz
São 20h55 e está em andamento o depoimento do empresário José Queiroz da Silva, o Carola, à CPI da Pedofilia.
Carola começou a sua oitiva se recusando a responder todas as perguntas do presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-SC).
Assim como aconteceu com Luciano Queiroz, a princípio ele negou conhecer Lidiane Foo, apontada como a aliciadora das adolescentes que eram usadas na rede de pedofilia.
Diante da negativa, Magno Malta mandou entrar Lidiane Foo, que reafirmou conhecer José Queiroz desde os 13 anos de idade e que ele era seu cliente na rede de porsituição de crianças, sempre requisitando meninas as mais novas possíveis.
“Menina de 15 anos já era velha pra ele”, disse Lidiane Foo.
Depois de negar que tenha saído com adolescentes de 13 anos, Carola voltou atrás e afirmou que tinha saído sim, mas quando percebeu tratar-se de uma menor de idade ele desistiu do programa. Lidiane rebateu dizendo que era mentira e que ele havia saído com as meninas, sim.
Lidiane também afirmou ao presidente da CPI, Magno Malta, que o seu advogado Silas Cabral a teria orientado para “limpar a barra” do empresário José Queiroz. “Ele disse para eu não falar nada sobre o Carola”, afirmou Lidiane.
Silas Cabral não compareceu à Assembléia Legislativa para a companhar o depoimento de Lidiane Foo. O senador Magno Malta pediu segurança para a mãe e a irmã de Lidiane durante a noite de hoje. Elas serão ouvidas amanhã.
O depoimento de Carola com as contra-argumentações de lidiane ainda está em andamento.
O ex-procurador do estado, Luciano Queiroz, quando era interrogado pelo senador Magno Malta (PR-SC) - Foto: Platão Arantes/ALE
Atualização às 19h19 - Terminou agora ha pouco a oitiva do ex-procurador do estado Luciano Alves Queiroz, um dos principais acusados de envolvimento no esquema de pedofilia desmontado pela Polícia Federal, no mês de Junho.
Um dos pontos mais tensos do depoimento do ex-procurador foi quando o senador Magno Malta (PR-SC) peguntou se ele conhecia Lidiane Foo, apontada como líder com esquema de pedofilia, e ele negou. O presidente da CPI então mandou chamar Lidiane que, na presença do público, afirmou conhecer, sim, Luciano Queiroz.
Aliás, uma das revelações feitas por Lidiane à CPI da Pedofilia foi que a sua primeira relação seuxal se deu com o ex-procurador do estado, quando ela tinha apenas 12 anos de idade. Lidiane afirmou ter sido vítima de pedófilos e, por isso, nunca mais conseguiu deixar o envolvimento com esquemas de pedofilia. Queiroz negou que tenha abusado de Lidiane Foo quando ela ainda era uma menina recém saída da infância.
Luciano Queiroz também negou conhecer Givanildo Nascimento, marido de Lidiane, e o major da Polícia Militar, Raimundo Ferreira Gomes, ambos envolvidos no esquema. Ele se nega a responder a maior parte das perguntas feitas pelo senador Magno Malta, invocando o direito de permanecer calado.
Na internet
O ex-procurador negou ainda que tivesse perfil no site de relacionamentos Orkut, onde foram encontradas evidência da sua participação na rede de pedofilia, e que usasse o comunicador instantâneo MSN.
A CPI da Pedofilia pediu a quebra de sigilo do Orkut e do Google brasileiro, operação que possibilitou a detecção de 4.500 albuns de pedofilia. Magno Malta disse que nos dois últimos anos foram detectados mais de 7 mil pedófilos brasileiros na rede mundial de computadores
“Medo é uma coisa de que eu já ouvi falar, mas a quem eu nunca fui apresentado”
Senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia, sobre possíveis ameaças aos membros da comissão
O senador e presidente da CPI da Pedofilia Magno Malta (PR-SC) disse agora há pouco que tem conversado com os desembargadores de todos os estados por onde passa, solicitando que eles não concedam liminar a advogados de pedófilos. Ontem à noite, Malta também se reuniu com o presidente do Tribunal de Justiça de Roraima, Robério Nunes dos Anjos, fazendo o mesmo apelo.
“Não soltar um pedófilo é fazer bem a ele mesmo, porque a sociedade está indignada e daqui a pouco um pedófilo na rua acabará sendo morto pelo povo”, disse o presidente da CPI.
O senador também afirmou que o movimento “Mães contra a pedofilia” poderá servir de exemplo para o Brasil e ajudar a melhorar a imagem de Roraima. “Então, peguem esse limão azedo que vocês têm nas mãos [o escândalo do esquema de pedofilia] e façam uma limonada”, apontando que o movimento de mães pode ajudar a acabar com a impunidade para crimes horrendos como a pedofilia.
“Quem tem coragem de abusar de uma criança de três meses, penetrar uma criança de três anos e engravidar uma de 12 é um desgraçado. A pedofilia no Brasil está nas colunas sociais, mora em condomínios de luxo, veste toga, tem patente e mandato, faz culto e celebra missa”, falou, salientando que esse tipo de crime não é apenas “coisa de pobre”, como era dito no passado.
Lidiane Foo, no início da sua oitiva, antes de se decidir pelo depoimento reservado a Magno Malta (Foto - Platão Arantes/Ascom-ALE)
Começou acerca de meia-hora a oitiva de acusados e testemunhas do caso de pedofilia desbaratado pela Polícia Federal em Roraima. A primeira a ser ouvida seria a dona-de-casa Lidiane Nascimento Foo, apontada como líder do esquema, mas ela preferiu falar de forma reservada ao presidente da CPI, Magno Malta (PR-SC), em troca da sua inclusão no Programa de Proteção à Testemunha.
As dezenas de pessoas presentes no plenário da Assembléia Legislativa de Roraima não gostaram de saber que não vão tomar conhecimento das declarações de Lidiane. Mas o depimento reservado é um direito da depoente e isso precisa ser respeitado, até porque faz parte das normas da CPI.
O senador Magno Malta disse que os crimes dos quais Lidiane é acusada, juntos, já somam mais de 200 anos de prisão e que, por isso, ela poderia ser beneficiada com a redução da pena e a sua inclusão no PPA, caso decidisse falar tudo o que sabe. Ela aceitou, frisando que preferia falar reservadamente, pois teme pela sua vida tanto dentro como fora da cadeia.
O advogado de Lidiane Foo, Silas Cabral, não compareceu à Assembléia Legislativa para acompanhar a oitiva da sua cliente e o senador Magno Malta teve que nomear um substituto. O presidente da CPI advertiu Lidiane de que ao aceitar ser incluída no Programa de Proteção à Testemunha ela não pode mentir e o benefício só passará a valer quando for comprovada a veracidade das informações por ela prestadas.
Lidiane chegou a interromper a fala do senador Magno Malta para dizer que também foi usada pelo esquema de pedofilia.
“Temos que olhar para Lidiane também como vítima de uma sociedade vil e indecente”, disse Malta.

José Nazareno (camisa verde), irmão do policial Cesinha, junto a família indignada na Assembléia Legislativa de Roraima
Um novo elemento técnico pode mudar os rumos da investigação em torno da morte do policial Júlio César Cavalcante, o Cesinha, preso pela polícia quando coagia testemunhas que poderiam incriminar os envolvidos no esquema de pedofilia desmontado pela Polícia Federal, no mês de junho.
Cesinha morreu quando estava preso no 4º Distrito Policial, com um tiro no peito. A família nunca acreditou na tese de suicício. Desde então tem denunciado na imprensa a possibilidade de queima de arquivo.
Agora há pouco, o irmão mais novo de Cesinha, José Nazareno Cavalcante Teles disse ao blog que a família encomendou a realização de um laudo paralelo, através do advogado Nilter Pinho, contratado pelos parentes do policial morto.
O laudo, segundo ele, aponta que o tiro que vitimou Cesinha foi disparado de cima para baixo. Isso anularia a possibilidade de suicídio, conforme as afirmações de José Nazareno ao blog.
“A família nunca acreditou em suicídio. Então, fomos à OAB e ao Ministério Público Estadual, por meio do nosso advogado, e requeremos a realização de um laudo paralelo. A peça que está com o nosso advogado aponta que o disparo foi feito de cima para baixo, o que tira qualquer possibilidade de suicídio”, comentou.
O irmão do policial disse que, ainda não satisfeita com o laudo, a família vai requerer do presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-SC), e da justiça roraimense a exumação do corpo de Cesinha para comprovar a tese dos parentes de que ele foi de fato assassinado, como queima de arquivo.
O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Roraima, Antônio Oneildo Ferreira, disse agora há pouco em entrevista ao blog, que entidade acabou de protocolar junto à secretaria da CPI da Pedofilia o afastamento de todas as pessoas citadas no esquema de pedofilia que ocupem cargos públicos.
Oneildo avalia que o trabalho da CPI vai contribuir para a efetivação das medidas punitivas contra todos os envolvidos no esquema. Conforme o presidente da OAB, foi requerido também da CPI a averiguação das irregularidades encontradas na delegacia onde ocorreu a morte - assassinato ou suicídio? - do policial Cesinha.
Quanto ao laudo paralelo encomendado pelo advogado da família de Cesinha, Antônio Oneildo disse existir de fato essa peça e que “se ela tiver sido feita de forma técnica e mostre algo diferente do laudo oficial, precisará ser levada em consideração”. A OAB-Roraima tem acompanhado o caso de perto e pressionado as autoridades para responsabilizar todos os envolvidos na forma da lei.
Uma fonte do blog afirmou agora ha pouco, com todas as letras, que há a possibilidade do deputado federal Luciano Castro (PR) vir a desistir da sua candidatura à Prefeitura de Boa Vista.
Conforme a fonte, uma reunião realizada na noite de ontem, sexta-feira (4), no PR, foi cogitada a possibilidade de renúncia de Castro. Nesse caso, assumiria a cabeça de chapa a ex-primeira-dama Marluce Pinto (PSDB) e o vice passaria a ser o deputado estadual Chico Guerra (PSDB), compondo uma chapa pura.
Vários caciques do PR e do PSDB teriam participado da reunião, decidindo por esta possibilidade de mudança na chapa governamental. Seria uma mudança e tanto nos rumos das eleições.
PS - Lidiane Foo teria citado o nome do deputado federal durante seu depoimento, beneficiada que foi pela delação premiada. Ela teria afirmado que tem provas contundentes contra Castro.
Há poucos minutos chegaram escoltados pela Polícia Federal à Assembléia Legislativa de Roraima alguns dos acusados de participarem do esquema de pedofilia desmontado pela PF em junho. Vão prestar depoimento à CPI da Pedofilia nesta tarde/noite Lidiane Foo, líder do esquema, Luciano Queiroz, ex-procurador-geral do estado, os empresários Valvidino Queiroz da Silva e José Queiroz da Silva, o Carola, o servidor público Hebron Vilhena, e o major da Plícia Militar Raimundo Ferreira Gomes.
Abaixo, as imagens da chegada dos acusados feitas por este jornalista-blogueiro:

Lidiane Foo, apontada no inquérito da PF como líder da quadrilha de pedófilos

Luciano Queiroz, ex-procurador do estado e apontado como um dos mais assíduos usuários do esquema

O empresário José Queiroz, o Carola, um dos clientes de Lidiane Foo no esquema

O policial militar Raimundo Ferreira Gomes, também integrante do esquema de pedofilia
Neste momento, o Plenário da Assembléia Legislativa está repleto de autoridades - deputados estaduais, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, secção-Roraima, Antônio Oneildo -, além de jornalistas e integrantes do movimento “Mães Contra a Pedofilia”.
Volto em breve com mais informações.
“Eles [os pedófilos] são a própria degradação da humanidade. São capazes de atos intoleráveis, indigestos, nojentos e para piorar quem nos surpreende é quem a gente acha que nunca vai nos surpreender”
senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia

Integrantes do movimento “Mães Contra a Pedofilia” começaram a chegar aqui na Assembléia Legislativa para acompanhar o trabalho da CPI da Pedofilia que veio a Roraima ouvir vítimas e acusados do esquema desbaratado pelo Ministério Público e Polícia Federal, no mês de junho.
A estudante estudante universitária Jacqueline Vieira e a funcionária pública Cristiane Oliveira disseram ao blog esperar que a CPI presidida pelo senador Magno Malta (PR-SC) dê uma resposta à sociedade roraimense, quanto a esse esquema dantesco cujos participantes usavam crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos em programas sexuais.
“Nós esperamos que não fique só na conversa, que a CPI dê uma resposta a altura, pois esse escândalo escabroso mexe com as famílias e com as nossas crianças. Se nós não cuidarmos das famílias e das crianças, onde é que vamos parar?”, fala indignada Jacqueline Vieira.
Cristiana Oliveira, por sua vez, afirma ser assustador o fato de saber que pessoas cicrulam na sociedade, com a sua aparência insuspeita, mas se mostrando capazes de acabar com a vida de crianças indefesas.
“Como se consegue olhar pra crianças de seis anos com maldade. Essas pessoas desestruturaram famílias e acabaram com a vida de muitas crianças. Essas meninas serão pessoas adultas cheias de traumas”, lamenta.
O blog fará a cobertura dos trabalhos da CPI e este editor estará postando notas a cada momento quando as informações importantes justificarem uma nova postagem.
Está prevista para as 15h de hoje uma entrevista coletiva com os membros da CPI da Pedofilia, na Assembléia Legislativa de Roraima. Liderados pelo senador Magno Malta (PR-ES), ainda hoje eles começam a ouvir as testemunhas do esquema de pedofilia desbaratado pela Polícia Federal em Roraima. A oitiva se dará no plenário da Casa, com sessão aberta ao público. Amanhã, os integrantes da CPI ouvem as vítimas, a portas fechadas. Pelo visto, o final de semana será de intensa movimentação em Boa Vista.
O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR), disse a poucos instantes durante visita ao Projeto Sentinela em Boa Vista que os praticntes de pedofilia são pilantras e vagabundos e têm que ser escrachados. O senador tem afirmado à imprensa que não vai aliviar com os culpados. Ele afirma que o poder político e econômico dos envolvidos em esquemas de pedofilia não pode ser usado para perpetuar a impunidade em crimes horrendos como o depedofilia.
Manelão Garimpeiro, remanescente da Guerrilha do Araguaia
O pequeno e tranqüilo município de São Luís do Anauá, localizado na região sul de Roraima, a 316 quilômetros de Boa Vista, tem entre os seus 5.700 habitantes um personagem que viveu momentos dramáticos do período da ditadura no Brasil: a guerrilha do Araguaia. O garimpeiro Manoel Carlos do Nascimento, um senhor negro, magro, alto e bem humorado, de 66 anos, teve contato direto com os comunistas- guerrilheiros Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um dos mais importantes integrantes do PC do B enviados para o Araguaia, e Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, a quem chamava de “terroristas” e “aquelas duas pestes”. Depois de sobreviver a duas quedas de avião e sair ileso, Manelão Garimpeiro, como é conhecido, veio aportar no interior de Roraima, de onde partiu e para onde voltou várias vezes em busca de ouro.
Historicamente, a versão de que guerrilheiros teriam sido donos de Serra Pelada ainda guarda alguns mistérios a serem confirmados oficialmente. Porém, sem que ninguém soubesse, Roraima guarda uma parte dessa memória viva, encontrada por este repórter no final do mês de junho, durante uma visita feita a região sul de Roraima. Enquanto fazia a cobertura das convenções municipais naquela cidade brejeira, sempre de ouvido atento aos diálogos paralelos, ouvi quando Manoel Carlos do Nascimento contava sobre suas aventuras no Araguaia e como havia escapado vivo de dois acidentes de avião em pistas de garimpo em Marabá e Itaituba, no Pará. Algo sinalizava que ali havia uma grande história esperando para ser contada. Apresentei-me como jornalista e propus uma entrevista. Manelão topou e, a seguir, temos o relato de parte de um momento importante da história brasileira.
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